terça-feira, 30 de agosto de 2016

Parada Pedagógica Agosto/ Partilha

"...as crianças são seres em construção, maleáveis em suas capacidades e com uma inteligência que pode se expandir á medida que o ambiente os estimule." Livro: Inteligência Emocional e Cognitiva
 
 
Com a chegada do Segundo Semestre iniciamos um trabalho forte voltado para aquisição de Identidade e Autonomia de todas as crianças matriculadas no CEI.
Com uma estratégia que não nos deixa ficarmos presas a conteúdos prontos e engessados, utilizamos o lúdico como ferramenta necessária para todo e qualquer trabalho que envolva o desenvolvimento pleno infantil.
Partindo desta proposta elaborei um conteúdo nesta  Parada Pedagógica, aonde trocamos experiências a cerca de trabalhos já desenvolvidos em sala, trabalhos estes que  beneficiaram não apenas as crianças, mas fizeram com que cada professor percebesse o quanto o seu objetivo a ser alcançado não importa tanto, quando o objetivo da criança tem mais foco e pertinência.
Olhar para o que a criança nos pede  como recurso e estratégias, se torna mais válido do que colocarmos nossas vontades e "achismos" na frente do conhecimento; saber ouvir o outro e perceber que juntos podemos construir uma forma de trabalhar ainda mais rica é evoluir cada vez mais no pensamento e aquisição humana.
Com isso aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir, sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído a maturação orgânica, mas a sua experiência. O aprendizado pode ser provocado por colaboração com diferentes parceiros na realização de determinadas tarefas, por observação, imitação ou transmissão social!
Deixar a criança criar, interagir e viver a partir de suas observações, é impulsionar o desejo de descoberta que provém de ideias previamente organizadas.
 
Fernanda
 







"O brincar nasce no corpo, e o corpo é a natureza. A criança antes de ser intelecto, é instinto, é sensação. Seus sentidos são portadores de uma sabedoria que ajuda a estruturar sua relação com o mundo." (PEA Casa Redonda)
 





terça-feira, 5 de julho de 2016

Parada Pedagógica Julho

"Crianças nos ajudarão a transver o mundo" (Manoel de Barros)

Esta é uma frase que abriu um dos encontros mais emocionantes que tive este ano, com Gino Ferri. Encontro este que citei em uma das minhas postagens mais recentes.
Crianças transver o mundo, crianças em constante mudança, crianças nos ensinando o que precisam aprender, crianças nos mostrando o que precisam e realmente necessitam aprender...Ufa!
Quando paramos para pensar em que a criança está pensando? Ou o que ela realmente necessita? Quando paramos para escutá-la? Ou para apreciá-la?
Perguntas que fomentamos no nosso último encontro, cujo tema embalei a partir da Documentação Pedagógica.
A troca de experiências que tivemos a partir do olhar crítico do outro para nos auxiliar a promover um trabalho com ainda mais  qualidade e unidade, nos levou a refletir sobre o que realmente necessita a criança.
Que precisa ser capaz de saber fazer suas próprias escolhas a partir do que consegue presenciar em seu dia a dia, a partir do planejamento elaborado pelo professor porém, que tenha sido levantado hipóteses em conversas com as crianças.
Um planejamento com vida e destino certo,  que proporcione o conhecimento, desenvolvimento e muita descoberta diante do desbravar do mundo.
Estar rodeado de crianças durante todo o dia, é entender que o professor é muito mais do que o mediador de descobertas, é ser o impulsionador de socialização e interações que farão a diferença durante a vida desta criança.

Fernanda.








quarta-feira, 15 de junho de 2016

Gino Ferri

...Trabalhar com criança pequena é prever o imprevisível, é planejar nos indicativos das crianças, é embalar-se no ninar, descontrair-se num sorriso, quase enlouquecer num choro que parece não passar... e o mais interessante duvidar se está certo que a gente planeja e cavalgar nas inquietações de uma criança em formação, um ser que tem muitíssimas potencialidades, que ainda não se comunica através da fala para contar o que sente e que nos deixa inquieta pra saber se as nossas interpretações de seus sinais comunicativos são exatos. (Prof° Jaqueline Oliveira / Creche Prof Francisco do Amaral Lopes).

A partir das inquietações acima tenho me movido a prestar atenção nos detalhes que as crianças me apresentam, suas dificuldades, seus choros e principalmente se tenho e sei como corresponder as suas expectativas. 
Muitas vezes projetamos uma ajuda ou um auxílio, onde não o cabe, onde a própria criança precisa descobrir seus limites, e que devemos transcrever aquele momento como a "Sua" descoberta, o potencial do "Seu eu".
Transver a Criança como ser capaz e pensante, esta foi a palavra chave do Seminário sobre "Documentação Pedagógica" neste último sábado dia 11/06. Onde Gino Ferri, parceiro e colaborador de pesquisas junto a Loris Malaguzzi, retratou e nos sensibilizou sobre a importância do momento de suas próprias descobertas na criança de 0 a 3 anos de idade.






terça-feira, 29 de março de 2016

Releitura de Obras com Bebê

" As crianças tem suas próprias impressões, ideias e interpretações sobre a produção de arte e o fazer artístico. Tais construções são elaboradas a partir de suas experiências ao longo da vida, que envolvem a relação com a produção de arte, com o mundo dos objetos e com seu próprio fazer. As crianças exploram, sentem, agem, refletem e elaboram sentidos de suas experiências. A partir daí constroem significações sobre como se faz, o que é, para que serve e sobre outros conhecimentos a respeito de arte.
O trabalho com Artes Visuais na educação infantil requer profunda atenção no que se refere ao respeito das peculiaridades e esquemas de conhecimentos próprios a cada faixa etária e nível de desenvolvimento. Isso significa que o pensamento, a sensibilidade, a imaginação, a percepção, a intuição e a cognição da criança devem ser trabalhados de forma integrada, visando favorecer o desenvolvimento das capacidades criativas das crianças."
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil
 
 
Na maioria dos meus relatos gosto de citar trechos do Referencial, é um documento que todas as vezes que leio ou busco algo que estou em dúvida, percebo que há algo que eu ainda não havia lido. Ou pelo menos que não havia interpretado da mesma maneira que a anterior.
Quando falamos em trabalhar Arte com bebê, logo imaginamos melecas, descobertas com elementos naturais etc. Não este meu relato vai muito além de trabalho sensorial, ou qualquer tipo de descoberta "melecosa".
Ousar, imaginar, criar e surpreender-se no berçário não é difícil , complicado mesmo é estar preparadas para quando isso acontecer, como iremos reagir, avaliar e até descrever aquele momento. O Bebê descobre o mundo pelas mãos e boca, porém ainda está sendo estudado mais a fundo a sua maneira de imaginar algo, ou entender certos momentos. Nós que pensamos agora como adultos, fica difícil entender como um bebê faz isso, porém tentamos imaginar e fantasiar como isto acontece em suas diferentes maneiras e situações. Ou seja, quando um bebê sabe que está na hora do lanche? Apenas quando tem fome? Ou quando vê seus colegas deslocando-se pelo ambiente atrás da professora?
São perguntas difíceis de serem respondidas, difíceis para nós que pensamos como adultos, para o bebê então alguns momentos são bastante complexos.
Mas como descrever, explicar ou até mesmo avaliar atividades com grau de dificuldade que julgamos um desafio e tanto pra um bebê de apenas 01 ano?
Durante o mês tentei rever e rever e chegar a uma conclusão e o mais perto que pude chegar foi. Além da imitação, o trabalho com Arte no berçário tem um papel fundamental para formação humana e como somos capazes do que o outro nos apresenta.
Que a imagem abaixo deixe a cada um mais curiosos pelo desenvolvimento dia a dia de cada bebezinho a nós confiado!

 


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Encontro de Formação com Brinquedo Cantado

Sempre fui uma pessoa curiosa, cheia de sonhos, expectativas e na maioria das vezes otimista. Digo na maioria das vezes porque nem sempre as coisas saem do jeitinho que pensamos ou planejamos, e com isso cabe a nós retomar todo exercício diário e começar tuuuudo de novo!
Em 2010 fui selecionada para participar de uma formação para professores em um colégio na região de Moema SP. Esta formação tinha como assunto primeiro a questão do brincar na educação infantil, a música nas escolas e como abordar o envolvimento musical da criançada.
As palestras e seus respectivos palestrantes eram ótimos, cheios de conhecimento e troca de saberes, porém a melhor parte era esperada uma oficina musical. Como colocar em prática toda aquela teoria que estava sendo passada em nosso dia a dia na sala de aula.
Eis que é anunciado um grupo chamado Brinquedo Cantado, que era apresentado por Monica e Gesiel, eles que fazem parte da árdua educação brasileira e estão sempre conectados e antenados ao resgate cultural para infância.
Entre uma música e outra eu ia descobrindo do que realmente gostava, do que me movia e chamava atenção a expressão corporal, o trabalho com música, e como tecidos e utensílios que passam batido em nossa rotina fazem diferença quando o assunto é propor inovações
Então ao longo destes anos como educadora tracei uma meta, conhecer e dividir tudo de bom que já havia aprendido e presenciado. Uma das coisas foi participar e conhecer o Brinquedo Cantado.
Após 05 anos tive este encontro com Monica e Gesiel, duas pessoas simples cheias de conhecimento e muita animação. Faço uma bela recomendação do trabalho que é desenvolvido, rico em conhecimento e curiosidade, fora que a alegria é contagiante. Os dois tem voz de veludo e sabem cativar o público que os prestigia.
Percebi que além da minha satisfação a minha equipe também estava muito envolvida e empolgada com esta experiência e grande oportunidade. Tenho certeza que levarão para a vida este dia!
Brinquedo Cantado obrigada pela linda manhã de formação, encantamento e conhecimento. Realizei um sonho de peneirarrrr o fubá.kkkkkkkkkkk .
Fica uma bela dica para o trabalho docente!
Beijos com carinho Fernanda.













quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O olhar do Coordenador Pedagógico sobre as descobertas infantis

Ainda sobre o replanejar e dialogar com as professoras que tenho feito durante alguns dias. As conversas para reflexões a cerca do trabalho que é desenvolvido em prol das crianças, e os objetivos que traçamos que na maioria das vezes o que importa é o quanto pensamos ser significativo e não o quanto pode ser levado em consideração o desenvolvimento infantil.
Tenho percebido que os momentos de estudo em conjunto e vídeos partilhados tornam o grupo de professores mais investigativos e curiosos na maneira de como apresentar o conteúdo que deve ser proposto as crianças, de uma forma bem mais ampla, e significativa em que os mesmo conteúdos anteriormente apresentados de uma forma solta uma um, agora são replanejados e sistematizados de uma forma homogênea e na sua grande maioria conforme a necessidade do grupo.
Meu papel como "Pedagogista" como cita Fillipini no livro as "Cem linguagens", tem sido fundamental para a maneira de repensar as aprendizagens e formas de trabalho, e muito mais além a forma de como rever a imagem de cada criança e sua importância.

"Fillipini: Nossa imagem de criança evoluiu a partir de nossa experiência coletiva e de um entendimento continuamente reexaminado da filosofia educacional e da teoria psicológica. Para nós, cada criança é única e é protagonista de seu próprio crescimento. Também notamos que as crianças desejam adquirir conhecimentos, tem muita capacidade para curiosidade e para maravilhar-se e anseiam por criar relacionamentos com outros e comunicar-se. As crianças estão abertas ao intercâmbio e á reciprocidade. Desde cedo na vida negociam com o mundo social e físico com tudo o que a cultura lhes dá. E começando com esta idéia, tentamos criar a escola como um sistema no qual está tudo conectado."
 
 
Cada um de nós aqui no CEI possui diversas responsabilidades, lidar com planejamento do grupo, lidar com planejamento e rotina dos professores no meu caso, entre outras coisas, mas tenho procurado me atentar ao olhar da criança durante as aprendizagens. Com isso as intervenções que tenho feito geram em torno das possibilidades de conhecimento, crescimento e descobertas tanto para a criança quanto para o adulto.
Esta semana uma das professoras fez um relato que eu gostaria de partilhar sobre estes momentos de conversa e estudo que temos feito com relação a cidade de Reggio Emília na Itália, e um CEI de Jundiaí que em sua proposta "aceita" Loris Malaguzzi e suas propostas como uma forma de proporcionar as crianças as diferentes formas de linguagens principalmente no brincar.
 
 
"São Paulo, 22 de Setembro de 2015,
 
Hoje terça feira, fui chamada pela manhã a sala da Coordenação Pedagógica para meia hora de estudos. Ela apresentou um texto sobre a cidade Reggio Emilia que falava de aprendizagens diferentes entre as crianças, em sua totalidade e da importância do registro do educador. Segundo a Coordenadora Fernanda, baseada em seus estudos sobre os autores, tudo no ambiente escolar tem que ter intencionalidade o olhar do educador em observar e perceber quais são as verdadeiras necessidades da criança que o educador convive.
Por mais que exista um trabalho organizado, direcionado e com objetivos alcançados ou não o registro dessa ação pedagógica se faz muito necessário.
Foi citado pela Coordenadora outros autores bastante significativos quando se trata de Educação Infantil. Percebi em suas palavras que há um olhar observador sobre meu trabalho em sala e sobre o desenvolvimento das 'minhas' crianças. Talvez aconteça o mesmo com a minha prática, olhar, observar e não registrar tudo se perde, no sentido em que as crianças internalizam mas não há a documentação daquele fato. Sinto que nossa conversa é um registro oral ou escrito sobre o meu trabalho como educadora.
Além dos textos a Coordenadora apresentou alguns vídeos interessantes e encantadores sobre escolas sobre escolas que vivem a realidade proposta em Reggio Emília, tanto na Itália como no interior da cidade de São Paulo.
Existe uma vontade bem aparente na Coordenadora em 'transformar' o CEI em um escola com ensino de educação infantil referência para as crianças, no qual a equipe pedagógica esteja na mesma sintonia e todos buscando o mesmo objetivo; trabalhar para o crescimento da criança que está inserida no CEI.
A conversa serviu para reforçar o que tenho em mente como educadora, ou seja pensar na criança 'Não estamos Prontos'. E isso nos faz estar sempre em busca do saberes e suas construções em conjunto, sempre é mais produtivo na troca de idéias os frutos são concretos e duradouros.
Gostei muito do que pude aprender em poucos minutos, que me ajudarão a continuar e aperfeiçoar cada vez mais nossa caminhada."
 
Ass. Professora Eliane
 
É de responsabilidade do Coordenador trabalhar com professores para identificar novos temas e experiências para o desenvolvimento profissional contínuo e o treinamento em serviço. É uma tarefa delicada, que além disso tornamos possível a participação do adulto em discussões e expondo pontos de vista.
Tem sido uma experiência muito gratificante para mim, ainda estamos no começo engatinhando para uma jornada de mudanças e muitas descobertas que necessitarão de paciência, empenho e muita dedicação. Mas que ao final olharemos e pensaremos, o quanto a evolução está sendo nítida, e as crianças com momentos tão significativos que ficará difícil documentar apenas um objetivo específico.
Beijos Fernanda


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Possibilidades no Parque

"Para criar situações de aprendizagens significativas o professor precisa não somente de conhecimento teórico sobre o desenvolvimento da criança, as também de experiências práticas relativas as possibilidades de exploração que as brincadeiras possam oferecer." (Garrido)
 
Com toda certeza, quando Garrido cita das possibilidades e descobertas da criança através da brincadeira nos remete a conhecer novos ambientes que pareciam ser tão distantes da realidade infantil. Criar e recriar situações em lugares diferentes que possam trazer no dia a dia uma mudança significativa de comportamento para a criança é sinal de que o professor está atento as necessidades que sua turma tanto necessita.
Mesmo que o lúdico seja um fator preponderante e extremamente significativo para o processo ensino aprendizagem, cada educador deve estar atento ao que a turma "pede", em forma de estratégias, comportamento e até mesmo a própria comunicação diária.
Ao perceber que o dia de hoje estava tão lindo, o céu azul, um sol convidativo a ter novas possibilidades, fiz uma proposta a uma das minhas professoras do mini grupo 2. Onde as crianças tem por volta de 03 anos de idade, vamos contar história ao ar livre?, vamos conhecer um outro lugar onde eles possam correr e descobrir sozinhos possibilidades?
Não me surpreendi com a resposta desta professora, imediatamente adaptou seu planejamento para uma área externa, e comunicou ao grupo em uma roda de conversa para onde estavam indo e o que fariam. Ou seja, qual a proposta que ela planejou para que fossem para o lado de fora do CEI.
Uma turma muito madura e curiosa começou a sair pouco a pouco da escola rumo a um novo espaço de área verde, com esculturas e cheias de novidades. A turma chegou no local proposto, e a idéia que tiveram em conjunto foi correr, correr, e correr kkkkkk. Não era para menos o turminha cheia de energia, a professora muito atenta a toda e qualquer movimentação deixou que cada um explorasse, pulassem e que a diversão fosse o carro chefe do momento.
Quando já haviam esgotado as possibilidades de descobertas do local foi o momento de ouvir uma história sentados na grama e relaxar, a euforia do momento não os deixava e eles queriam correr mais e mais.
Ufa! A manhã foi assim, e o dia todo o assunto daquele mini grupo 2 foi o passeio que fizeram no parque cheio de árvore, com um circulo e uma garrafa de água que estava no cristal.
Esgotar possibilidades de descobertas, fazer de cada momento um novo, isso sim é estar atenta ao que as crianças precisam.